Desde 2002, venho travando uma batalha que a cada dia eu fico mais fraco e triste com a situação. Quando ele veio, ele veio como solução e como resolveu a nossa vida, dando a gente oportunidade de fazer e ter coisas que não tínhamos e podendo contar com ele sempre. Mas a partir dessa data ali em cima, ele começou a meio que selecionar o que ele queria e poderia fazer o que a gente queria que ele fizesse. Era como ele podia dizer: “olha, eu não vou seguir por esse caminho, vou ficar aqui parado, vendo tudo passar na minha frente.” E foi o que ele fez. Ficou ali, bem na minha frente, parado. Não adiantou a gente daqui de casa mudar o quarto dele, que era na dependência de empregada, para o meu quarto, tenho um pouco de sol e podendo ficar perto da janela.
Às vezes ele ficava doente, grande parte da culpa era nossa, que o deixamos a deriva de vírus e coisas ruins de ter. Sem ele, a gente ficava sem poder praticar as maravilhas que ele deixava ainda fazer. Ele teve uma fase de jogar uns tipos de joguinho, muito irritante e isso sempre acontecia quando a gente fazia algo de alguma importância, e então ele vinha e fazia a gente perder tudo que nós estávamos fazendo. Claro que ganhava uns tapas e xingamentos, coisa que às vezes eu me arrependia, pois não ajudava em nada. O tempo foi passando e passando, ele foi ficando velho e rabugento, a sua vontade continua sempre presente, já não era mais a mesma rapidez, mas eu preciso dele pra fazer cousas tão importantes,como trabalhos da faculdade e coisas fúteis, como jogar BrasFoot. Eu nem conto mais com ele, uso outras maquinas como ele, não só por serem mais modernos e rápidas para eu conseguir enviar um mail em um segundo.
Mas eu acho que o meu computador não passa desde ano, pois o problema não poder ter outro é o meu pai não era atingindo com o mau humor da maquina, mas agora, finalmente ele também está perdendo a paciência com o nosso velho K6 500. Espero que ele não leve a mal esse texto, e deixe-me postar aqui no blog e deixe um ver os meus mails antes de dormir.
segunda-feira, 31 de julho de 2006
segunda-feira, 17 de julho de 2006
Especialmente hoje, que estava muito bem alimentado (acho até para semana inteira), caminhava muito aquém da velocidade que costumo andar, sendo assim, ficava olhando com aquele olhar de admiração pelo o caminho que estava passando. Admiração como exemplo do termômetro do HPS, que além de está aquele estante dominado pelo enigma dos números repetidos[i], fez me lembrar do dia de inverno que e uns camaradas passamos em direção da sempre Lancheria e o termômetro marcava três graus a meia-noite. Uma coisa pífia que acabou virando uma lembrança da pequena parte daquela zona que morava (próxima dali, é verdade) e que freqüentava. Na sexta-feira, eu peguei um ônibus que antes passava na frente da minha casa, o tal do T7, que não passa de um ônibus qualquer como os Cohab da vida que eu pego todo dia, mas tinha um ar (não só o condicionado) diferente, não sei explicar, algo meio flashback, pois logo que eu entrei, me lembrei das idas ao shopping Iguatemi, com o amigo de longa data, o alemão Roger, com o seu modo pouco peculiar de avaliação[ii] de raça e de vestimenta para passear no shopping no sábado de tarde, tirávamos sarro das pessoas em geral no shopping e o pior que achávamos o maximo tudo aquilo. O importante era que nós não tínhamos nada para fazer e então íamos não como sendo um programa fixo, como de dondocas, e sim algo para passar numa companhia agradável, mesmo às vezes sendo um pouco vergonhoso as risadas e gafes que naquela idade nós conseguíamos fazer.
Apesar das dificuldades de morar tão longe de quase tudo que tu gosta, incrivelmente tem coisa boa morar a treze quilômetros do centro. Toda essa natureza que eu encontro na hora que eu abro a minha janela, é bonita, ate por eu tentar sempre tirar um lado positivo, eu penso que é melhor morar aqui do que na frente da refinaria Alberto Pasqualini ou do estádio do Grêmio[iii]. Talvez morar aqui, tão longe dos botecos e coisas passageiras que certamente iria me distrair, ajudou a um habito que eu to começando a curtir, que é o de ler. Com a ajuda meio que forçada da faculdade, por ela mandar eu ler 50 paginas por dia, me deu a vontade de ler livros que eu olhava e pensava: “meu deus, esse livro tem 500 paginas!”. Claro que o silencio coopera e muito, já que eu aqui eu tenho o meu próprio quarto, conquista só conseguida quando me mudei para cá.
A minha vó sempre me pergunta porque eu não vou “passear” lá pela minha zona, no caso da velha vó; zona sul? Eu sempre digo pra lá que aqui não quase nada para fazer, tudo fecha meio cedo, tudo longe, nem tanto quanto Brasília mas quase e que eu sempre gostei da onde eu vim. Quando morava no Rio Branco, tinha uma dúzia de amigos, sem contar os do prédio que eu morava, que estavam por perto, no mínimo de 5 minutos de ônibus ou a pé mesmo. Sentia-me privilegiado por morar onde tinha todos os ônibus para quase todos cantos da cidade, sendo que às vezes nem usava a condução, ia a pé mesmo.
Depois de umas duas festinhas na piscina e de parar de implicar com a zona que eu ate então estou morando, comecei a meio que acostumar a gostar do lugar, diferente da casa, que sempre curti muito, mesmo dizendo que seria perfeito se essa casa que eu moro, se localizasse no mesmo bairro ou na minha imaginação fértil, no mesmo lugar que eu morava antes, mas como sempre eu nunca posso ter tudo que eu sempre quis; pelo menos ao mesmo tempo.
[i] Marcava 20:20 da noite.
[ii] Naquela época, meados dos anos 90.
[iii] Prometo que não tornarei fazer comentários do time do meu irmão e da minha mãe.
terça-feira, 11 de julho de 2006
O que eu queria dizer é que a final da copa sem o Brasil foi umas das melhores coisas que já aconteceram este pais. Se o Brasil fosse para final e ainda ganhasse, iria morrer alguém importante, não o ACM ou a Hebe, alguém que todo mundo iria pensar: “pó, que pena”. Em 94, Mario Quintana morreu uns dias depois da conquista do tetra e em 2002, Chico Xavier, morreu logo depois de sua ultima transcrição espiritual, logo depois do velho Cafu subi levantar a taça. É obvio que vão pensar quem iria morrer? O Zagallo? O repórter Vesgo? Eu acho que seria o Enéas( o Bussunda não vale).
Teve gente que ficou triste por a seleção ter caído as quartas, eu fiquei porque eu queria ver a final comendo feijoada com caipirinha. Mas sempre tem um lado positivo nessa historia, se o Brasil fosse campeão de novo, certamente na segunda-feira, teria sorrisos nas ruas e aumentos de impostos e (talvez) de tarifas, como teve em 2002 (em 94 eu não me recordo, eu mal sabia que era imposto, só sabia que era ruim). Seria uma boa injeção de felicidade, principalmente nas pessoas que não tem muito que sorrir (gremistas, por exemplo), e como toda injeção, logo passa e volta a realidade. Realidade que boa parte dos jogadores desmontaram para todos nós, a realidade que toda a torcida por eles, é quase como um gesto transparente para os olhos deles. O Roberto Carlos não estava arrumando as meias, estava mostrando o que ele é, um cara com o cú virado pra lua e vocês, na lima e silva da vida, uns bosta que ele nem tenho idéia que vocês existem. Os Ronaldinhos e Adrianos da vida que fizeram festinhas ou os Robertos Carlos da vida que foram jantar fora com amigos, logo depois da desclassificação, são esses tipos de reações que eu estou escrevendo.
Eu não culpo o Parreira dela desclassificação,( nesse caso eu incluo o Abel), eu acho que ele quis mostrar que nós temos que nos preocupar com as verdadeiras preocupação da vida. Não com o peso do Ronaldo e sim com as campanhas eleitorais ( :/ ), que já começaram, a minha vó e a de vocês não vai ter aumento na mesada e o final da novela Belíssima, não seria tão tensa como uma final de copa do mundo.
sexta-feira, 7 de julho de 2006
"A vida é incrível. Quantas coisas passam por nós... Se você tem inteligência suficiente, algum dia vai olhar pela sua janela e se questionar: "Quem somos? O que estamos fazendo? Quais são os nossos valores?". Mas acredito, principalmente, que ninguém conseguirá responder. É incrível como temos um cérebro capaz de resolver tantas coisas, mas não conseguimos entender a nós mesmos. Há uma certa tristeza nesse meu relato. Que você se for humano o suficiente, vai compreender...As pessoas não sabem o que procuram. Às vezes ficam rodando em círculos, e nunca encontram o que querem. A felicidade, dizem, é o maior desejo humano. Mas dificilmente alguém a encontrar. Dinheiro, dizem, traz felicidade. Pode ser, mas ainda assim, pode-se ser feliz olhando o pôr-do-sol ou as estrelas. Sorrir ao ver algumas cenas da natureza. Dar valor ao que se tem... As pessoas não têm mais amigos. Caminham sós pela vida, valendo-se de alguns que, dizem, são seus amigos. A competição do mundo não as permite confiar em alguém. Estamos rodeados de gente: a professora, o parente chato, o chefe, o flanelinha no semáforo, os colegas, a vizinha... Mas vivemos sozinhos em mundo com bilhões de pessoas. Talvez gostemos mais da televisão. Talvez não tenhamos tempo para amizades; temos que viver muito para nós mesmos...As pessoas não vivem mais os sentimentos. Debruça-se sobre acontecimentos momentâneos, explodem seus desejos em minutos e depois esquecem. Voltam à vida vazia e solitária que sempre foi. O amor não existe. Aproveitar o momento, dizem, é o que conta. Mas eu acredito que se preencher de enternecimento torna a vida algo muito maior, toma-a muito mais valorosa. Não se procura o amor. Talvez por não se conhecer o amor. As pessoas julgam-se serem extraordinários. Na verdade, são tão fracas que não conseguem resolver nem os próprios problemas. Dizem precisarem sempre de ajuda. Procuram-na, então, nos lugares errados. Ou não procuram. Ou não sabem o que procuram...Acabam perdidas; 0 mundo mudou. A violência cresceu. A honestidade está sendo abolida. A corrupção existe em todos os cantos. As guerras continuam, e não apenas em continentes afastados de nós...As pessoas acreditam em coisas absurdas, têm suas crenças e pregam a fé em um futuro melhor. Mas não fazem nada para mudar o presente, quanto mais o futuro... Apoiam-se em superstições. Rezam desesperadamente. Condenam-se por cometer algum pecado. Mas praticam atos desprezíveis contra a humanidade. E ninguém se questiona. Ninguém é responsável. Ninguém sabe o que procura. Ninguém se importa com coisa alguma. Será que é assim que tem que ser?"
É obvio que eu não penso desta forma, eu escrevi isto há muito tempo atrás, talvez eu não tinha conhecido mais da metade da coisa que com o tempo eu ganhei ou achei por ai e não ter participado de tanta viagem (de corpo e fora do corpo); talvez a falta de tudo isso pode ter me deixado revoltado para escrever isso, revoltado pelo que não tinha e doido para fazer tudo que acabei fazendo até hoje.