Primeiramente, eu fiz este espaço não para dizer o meu dia-a-dia monótono e sim, para escrever (e praticar) temas diversos de meu interesse, e se possível, o de vocês. Mas hoje, foi sair um pouco do protocolo.
Desde de terça, eu estava com uns sintomas de maluco doidão. Estava angustiado, irrequieto e pouco nervoso. Tudo por causa de um sonho, que não podia chamar de sonho, nele estava eu, vendo tv, um jogo do inter contra um time que não sabia quem era. Só sabia que estávamos perdendo e acabamos empatando, mas no fim, o goleiro (que não era o Clemer) levou um frango. Acordei mal, triste e todo atucanado pensando: “Porra, vamos perder o jogo amanhã”, logo comecei a puxar o sonho e relembrando algumas situações dele, como exemplo o jogador que fez o ultimo gol era o atacante holandês (não sei escrever o nome dele) e que a camisa do time era meio laranja (mas não era o time da Holanda), com tudo isso, fiquei o dia todo com aquilo na cabeça.
Já na quarta-feira, acordei bem, perto do meio-dia, e logo estava pensando no jogo,o foda que era lá às 10 da noite, pensei: “putz, que eu vou fazer ate lá?”. A minha sorte, era que tinha o jogo do time do meu vizinho as três e pouco. No meio desse jogo decidir em ir para aula, para sim, depois ir ao mesmo bar, com o meu camarada Alexandre, ele com a nova camisa do inter e, segundo ele, com a sua jaqueta da sorte. Comigo é mais complicado, eu, desde do jogo contra a LDU, eu ia ver o jogo ver com as mesmas roupas; a jaqueta “Jack”, a camiseta escrita “Brasil – Florianópolis”, a cueca verde e o meu all-strar vermelho, velho de guerra. Supertição é uma coisa muito estranha, antigamente, eu ia com uma camisa que eu ganhei da minha vó, sempre para fazer as provas finais e as de recuperação, e tava certo, até o dia que me fudi e parei de desfrutar dessas coisas. Mas agora era diferente, deu certo em todos os jogos que eu vi e pior ainda que me falaram que tudo isso me dava sorte, pronto; não podia contraria a opinião de um bêbado de bar.
Bem, chegamos ao bar, logo que entramos, deu gol...do Grêmio, que ainda joga futebol, e logo depois terminou o jogo deles, os torcedores que estavam lá para ver o Grêmio, comemoram gritando que eram campeões da América. Aproveitamos a saída de alguns gremistas e sentamos-se à mesa, bem localizada, cumprimentamos alguns torcedores que já conhecemos de outros jogos e já pedimos uma Bohemia para ir se preparando pra logo mais.
Começou o jogo, como sempre fiquei mais calmo, mas sempre xingando todo que acontecia no jogo, xingava o juiz, o Casagrande e o os jogadores do São Paulo. Ao meu lado, tinha ainda, uma mesa de gremistas, sempre bem humorados, faziam piadas entre eles, sobre cada lance do jogo. Aos 29 minutos, caiu uma lagrima com o gol do Fernandão, gritava batendo na mesa, (que nem um italiano doido) e abraçava os companheiros de bar. Logo depois do gol, a mesa piadista do lado, estava vazia.
O ponto maximo, foi o segundo gol (de Tinga), me emocionei pra caralho e vi que agora a taça era nossa. A primeira coisa que me lembrei, foi a minha adolescência, agüentando os meus amigos e pior ainda, o meu irmão comemorando e rindo da minha cara, os títulos do Grêmio. Foram anos muito difíceis e que pelo gol, estava acabando.
Acabou o jogo! Foi foda, a cidade parecia Beirute, explodia de felicidade, de foguete, buzinaço, talvez até tiro por alto. Parecia que todo mundo tinha ganhado na mega-sena, eu me sentia assim. A primeira pessoa que eu pensei em ligar foi o meu velho, até para ver se estava “tudo bem” com ele. Sai do bar e vi umas das coisas mais hilárias da noite; um ônibus de linha, parou no meio da rua e o motorista saiu dele comemorando com saltos e gritos, deixando os passageiros sem reação. Falei com o velho, e logo depois comecei a ligar pro amigos gremistas, para convidar pra a festa (=D), mas ninguém me atendeu. Então fomos ate o combinado com outros meus amigos, para dali, ir a Goethe. No meio do caminho, a segunda cena inusitada. Um mendigo, sem tênis ou chinelo, de bermuda, na chuva com uma camisa do Inter (dos anos oitenta ou setenta), comemorando e dizendo: “também sou o dono da América!!”.
Depois de ir a Goethe, comemorar, continuar bebendo todas, encontrar amigos e conhecidos e até gremistas e dormir, cheguei em casa por volta da meia-hora. Só quando fui ler os jornais que caiu a ficha: “Porra, vou ter cumprir a minha promessa!”, promessa besta, mas vale a pena cumprir. Quem sabe eu faço outra no final do ano.