segunda-feira, 17 de julho de 2006

Hoje quando eu estava retornando, para casa, a pé para a parada de ônibus, novamente eu tive e mesma percepção. A sensação de eu não precisava, antigamente, de fazer toda viagem de ida e volta pra casa. Bastava apenas algum minuto e já estava dentro do elevador e logo no quarto andar. Antes eu ficava puto da cara e brabo, apesar de que no inicio da minha “extradição”, tive muita colaboração de locomoção, coisa eu sentia-me acanhado e sinto ate hoje, de fazer dos minutos que iria passar dentro do ônibus um desperdício de tempo até chegar em casa.

Especialmente hoje, que estava muito bem alimentado (acho até para semana inteira), caminhava muito aquém da velocidade que costumo andar, sendo assim, ficava olhando com aquele olhar de admiração pelo o caminho que estava passando. Admiração como exemplo do termômetro do HPS, que além de está aquele estante dominado pelo enigma dos números repetidos
[i], fez me lembrar do dia de inverno que e uns camaradas passamos em direção da sempre Lancheria e o termômetro marcava três graus a meia-noite. Uma coisa pífia que acabou virando uma lembrança da pequena parte daquela zona que morava (próxima dali, é verdade) e que freqüentava. Na sexta-feira, eu peguei um ônibus que antes passava na frente da minha casa, o tal do T7, que não passa de um ônibus qualquer como os Cohab da vida que eu pego todo dia, mas tinha um ar (não só o condicionado) diferente, não sei explicar, algo meio flashback, pois logo que eu entrei, me lembrei das idas ao shopping Iguatemi, com o amigo de longa data, o alemão Roger, com o seu modo pouco peculiar de avaliação[ii] de raça e de vestimenta para passear no shopping no sábado de tarde, tirávamos sarro das pessoas em geral no shopping e o pior que achávamos o maximo tudo aquilo. O importante era que nós não tínhamos nada para fazer e então íamos não como sendo um programa fixo, como de dondocas, e sim algo para passar numa companhia agradável, mesmo às vezes sendo um pouco vergonhoso as risadas e gafes que naquela idade nós conseguíamos fazer.

Apesar das dificuldades de morar tão longe de quase tudo que tu gosta, incrivelmente tem coisa boa morar a treze quilômetros do centro. Toda essa natureza que eu encontro na hora que eu abro a minha janela, é bonita, ate por eu tentar sempre tirar um lado positivo, eu penso que é melhor morar aqui do que na frente da refinaria Alberto Pasqualini ou do estádio do Grêmio
[iii]. Talvez morar aqui, tão longe dos botecos e coisas passageiras que certamente iria me distrair, ajudou a um habito que eu to começando a curtir, que é o de ler. Com a ajuda meio que forçada da faculdade, por ela mandar eu ler 50 paginas por dia, me deu a vontade de ler livros que eu olhava e pensava: “meu deus, esse livro tem 500 paginas!”. Claro que o silencio coopera e muito, já que eu aqui eu tenho o meu próprio quarto, conquista só conseguida quando me mudei para cá.

A minha vó sempre me pergunta porque eu não vou “passear” lá pela minha zona, no caso da velha vó; zona sul? Eu sempre digo pra lá que aqui não quase nada para fazer, tudo fecha meio cedo, tudo longe, nem tanto quanto Brasília mas quase e que eu sempre gostei da onde eu vim. Quando morava no Rio Branco, tinha uma dúzia de amigos, sem contar os do prédio que eu morava, que estavam por perto, no mínimo de 5 minutos de ônibus ou a pé mesmo. Sentia-me privilegiado por morar onde tinha todos os ônibus para quase todos cantos da cidade, sendo que às vezes nem usava a condução, ia a pé mesmo.

Depois de umas duas festinhas na piscina e de parar de implicar com a zona que eu ate então estou morando, comecei a meio que acostumar a gostar do lugar, diferente da casa, que sempre curti muito, mesmo dizendo que seria perfeito se essa casa que eu moro, se localizasse no mesmo bairro ou na minha imaginação fértil, no mesmo lugar que eu morava antes, mas como sempre eu nunca posso ter tudo que eu sempre quis; pelo menos ao mesmo tempo.

[i] Marcava 20:20 da noite.
[ii] Naquela época, meados dos anos 90.
[iii] Prometo que não tornarei fazer comentários do time do meu irmão e da minha mãe.

4 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

é soh p corrigi...
que legal u textu gui!!!
um dia tu vai mora na ksa da esquina, akela da venÂncio lembra?quando a gent tava indu p ksa, i tu admirandu as ksas, c uma coca-cola na maum, dizendu q akilu era show...
bjuxxxxxxxxxxxxxxxx!!!

Ana Carolina Minozzo. disse...

e eu que moro em CANOAS?Tu sabe como eu me sinto?
não tenho amigos por aqui, mas, pelo menos, em termos de serviços, há tudo que preciso, pois moro no centro de Canoas.tem dias que eu quero sair sem ter que pegar um treme depois um ônibus..quero só tomar um café..penso nas meia dúzia de amigos daqui, eles estão ocupados.e eu fico em casa sozinha; é um cú. ma so que mais me ANIMA é que , depois de voltar de Londres, eu vou morar em NOVO HAMBURGO!
e lele. aí, será uma viagem pra sair. o ocidente é dez minutos da minah casa, passará a ser 50.

Anônimo disse...

eu me lembro que sempre que a gente passava perto do teu antigo prédio tu ficava olhando pra ele, com uma certa tristeza... por mais que eu não tenha freqüentado muito o apartamento, eu sempre simpatizei com ele, e cheguei a sentir saudades. sabe, eu fico feliz que tu tenha FINALMENTE te adaptado, ou pelo menos começado a gostar de morar aí. porque eu morei 18 anos na zona sul e espero nunca mais ter que voltar pra lá. =P

e pense também no chuvisquinho, que agora tem mais espaço pra explorar.